sexta-feira, 20 de março de 2009

Os Samaritanos ainda estam em nosso meio

Os Samaritanos são um pequeno grupo étnico-religioso aparentado aos judeus que habita nas cidades de Holon e Nablus situadas em Israel e na Cisjordânia respectivamente. Designam-se a si próprios como Shamerim o que significa "os observantes" (da Lei); desde há alguns anos os SAMARITANOS tem vindo igualmente a usar o termo "israelita-samaritanos". Em hebraico moderno, os SAMARITANOS são designados de de Shomron, ou seja, os da Samaria.
A religião dos SAMARITANOS baseia-se no Pentateuco, tal como o judaísmo. Contudo, ao contrário deste, o samaritanismo rejeita a importância religiosa de Jerusalém. Os samaritanos não possuem rabinos e não aceitam o Talmud dos judeus ortodoxos.
Os samaritanos não se consideram judeus, mas descendentes dos antigos habitantes do antigo reino de Israel (ou reino da Samaria). Os judeus ortodoxos consideram-nos por sua vez descendentes de populações estrangeiras, que adoptaram uma versão adulterada da religião hebraica; como tal, recusam-se a reconhecê-los como judeus ou até mesmo como descendentes dos antigos israelitas. O Estado de Israel reconhece-os como judeus.
Hoje há cerca de 700 samaritanos. Seu idioma de uso comum é o hebraico moderno e o árabe palestino, enquanto para atos litúrgicos utilizam o hebraico samaritano
Origem dos Samaritanos
Por volta de 1000 a.C., os Israelitas viviam nas terras altas situadas a oeste do rio Jordão, assim como numa área situada um pouco a leste deste rio, no actual território da Jordânia. Segundo a Bíblia (que foi escrita alguns séculos mais tarde ), os Israelitas dividiam-se em doze tribos, que alimentavam rivalidades mais ou menos intensas umas com as outras.
Ainda de acordo com a Bíblia, estas tribos teriam sido unificadas em cerca de 1000 a.C pelo rei Saul, que foi sucedido por David; este foi por sua vez sucedido pelo seu filho Salomão1.
Depois da morte de Salomão, em cerca de 930 a.C., dez tribos do norte separaram-se e formaram o reino de Israel, também conhecido como reino da Samaria, devido ao nome da cidade que se tornou a sua capital no século IX a.C. Este reino tornou-se vizinho e por vezes rival do reino do Sul, o reino de Judá

História dos SAMARITANOS após a separação
Os SAMARITANOS mantiveram uma população relativamente numerosa no norte da Palestina: estima-se o seu número em várias centenas de milhares saté ao século VI; alguns autores apontam um valor de 1,2 milhões no século IV e V. No entanto, nunca foram um povo independente, tendo passado pelo controlo dos impérios que sucederam ao império assírio.
Relações com o reino selêucida
O reino selêucida foi um reino de cultura helenística governado por uma dinastia de origem macedónia, que resultou da divisão do império de Alexandre Grande. Embora de início tivesse uma extensão territorial considerável, em pouco tempo restringiu-se à região da Síria-Palestina. O reino afirmou fortemente a cultura grega, o que num primeiro momento não representou um problema para os Judeus e SAMARITANOS que viviam na Palestina. A situação alterou-se durante o reinado de Antíoco VI Epifânio (175-163 a.C.), que lança uma campanha de helenização forçada das populações do seu reino. A decisão de em 168 a.C. consagrar o Templo de Jerusalém a Zeus obteve a aprovação de alguns judeus, gerando a revolta de outros, liderados pelos Macabeus.
Segundo o Livro dos Macabeus, tropas samaritanas teriam se unido em 166 a.C. ao exército selêucida para combater os Judeus durante a revolta dos Macabeus. No domínio da religião, os SAMARITANOS teriam também aceite transformar o templo do Monte Garizim num templo helenístico.
No entanto, esta aliança política com os Selêucidas não deixou rastro nos SAMARITANOS quando o domínio selêucida terminou. É portanto possível que tenha sido uma aliança política sem conteúdo religioso, embora esta aceitação reforça a acusação de paganismo que já se encontrava presente no Livro dos Reis.
Relações com os Judeus da Antiguidade
As relações com os Judeus foram em geral negativas durante toda a Antiguidade.
Depois do sucesso da revolta judaica contra os Selêucidas, o novo reino dos Hasmoneus, governador por João Hircano I conquista Siquém e destrói o templo do Monte Garizim (108 a.C.).
Os SAMARITANOS tornam-se súbditos de um Estado que não os considera como Judeus. Contudo, Flávio Josefo refere que até à época do procurador romano de Coponius (6-8 d.C.), o Templo de Jerusalém encontrava-se aberto aos Samaritanos.
Depois da conquista romana de 63 a.C. a Samaria conheceu várias reorganizações administrativas. Em 30 a.C. Augusto acrescenta-a ao reino de Herodes o Grande. De seguida, a província da Samaria e as cidades da costa são enquadradas na província romana da Síria (ou da Fenícia, conforme as épocas), escapando ao poder judeu. O Império Romano era tolerante para com as religiões dos povos conquistados.
Relações com o Império Romano
A chegada do Império Romano à região em 63 a.C. permitiu ao SAMARITANOS libetarem-se progressivamente dos Judeus. Mas as relações com este império foram por vezes conflituosas.
Durante o levantamento judaico de 67-73, o imperador Vespasiano temeu assistir a uma aliança dos SAMARITANOS com os Judeus. Segundo Flávio Josefo, Vespasiano teria enviado tropas contra os Samaritanos, que foram cercados; apesar de terem ficado sem água e de lhes ter sido oferecida a rendição, os SAMARITANOS resistiram e foram executados.
No reinado de Adriano (de 117 a 138), os Judeus e os SAMARITANOS foram castigados com a proibição de celebrarem o Shabat e as festas, bem como de praticarem a circumcisão e os banhos rituais. As crónicas samaritanas atribuem a Adriano a destruição de todos os seus livros sagrados, com excepção do Pentateuco e da genealogia dos sacerdotes.
Relações com o Império Bizantino
O Império Romano dividiu-se definitivamente em 395 da era cristã. A partir desta data, haverá um Império Romano de Ocidente, que desaparece em 476, e um Império Romano de Oriente ou Império Bizantino (designação derivada do nome da sua capital, Bizâncio, mais tarde conhecida por Constantinopla e depois como Istambul). O Império Bizantino tentará converter pela força certas minorias (cristãs ou não) à sua forma de cristianismo.
Assim, o imperador Zenão I lança-se de ataque aos Judeus e aos Samaritanos. Durante o seu reinado o templo dos SAMARITANOS foi destruído pela segunda vez e desta feita de forma definitiva, não tendo sido reconstruído.
Sob a condução de um líder carismático e messiânico, chamado Julianus ben Sabar (ou ben Sahir), os SAMARITANOS revoltaram-se em 529. Com a ajuda dos Ghassanidas (árabes cristãos), o imperador Justiniano esmaga a revolta. Dezenas de milhares de SAMARITANOS foram mortos ou vendidas como escravos. Outros converteram-se, sem dúvida como maneira de escapar à repressão. De uma população de pelo menos centenas de milhares de pessoas, passa-se rapidamente a uma pequena população. O Império Bizantino foi o responsável pela transformação dos SAMARITANOS de um povo que ocupava uma região onde se desenvolveu a uma minoria submetida.
Um último levantamento sem sucesso teve lugar em 594, tendo contribuído ainda mais para a queda demográfica da população samaritana.
Relações com o islão
Boas de início, as relações entre o SAMARITANOS e os poderes islâmicos não foram contudo sempre perfeitas. Algumas fontes referem-se à destruição de lugares de culto judaicos e samaritanos no século IX. Os Mamelucos teriam destruído lugares de culto samaritanos no século XIV. As relações com os Otomanos foram bastante más, excepto no período final do império. Durante esta era, muitas famílias samaritanas mudaram de religião; várias famílias prestigiadas de Nablus, como as famílias Shakhsheer, Yaish e Maslamany, que eram samaritanas, aderiram ao islão nesta época. Em 1596, o sumo sacerdote Pinhas VII foi obrigado a se exilar em Damasco, onde se contavam apenas 132 samaritanos.
Em 1841 os ulemas de Nablus acusaram os SAMARITANOS de serem pagãos, o que autorizava a sua conversão pela força, de acordo com a intepretação islâmica. Esta crise foi resolvida graças à intervenção do Grão-Rabino da Palestina que emitiu um documento no qual atestava que os SAMARITANOS eram um ramo dos filhos de Israel.
No fim século XIX, o SAMARITANOS obtiveram o reconhecimento jurídico das autoridades otomanas através do sistema Millet.
No século XX, os viajantes descrevem a pequena população samaritana como miserável, composta por comerciantes e alfaiates.
Época moderna
Na segunda metade século XIX, o SAMARITANOS não ultrapassam 120 pessoas, passando para 146 em 1917. O seu futuro mostra-se assombrado pela consanguinidade, pela pobreza e pelas conversões. Os observadores da época predizem frequentemente o seu desaparecimento próximo.
Depois da instalação do Mandato Britânico na Palestina (1922), as relações dos SAMARITANOS com os sionistas foram cordiais. Os sionistas, judeus seculares, interessam-se pouco pelas disputas religiosas e reconhecem com sem dificuldades os SAMARITANOS como judeus.
Hoje a população samaritana é estimada em cerca de 670 pessoas (2005), que vivem no monte Gerizim e em Holom, comunidade aqui criada pelo segundo presidente de Israel Yitzhak Ben-Zvi em 1954 .
Devido à sua resistência à aceitar convertidos, a comunidade samaritana tem sido reduzida grandemente, além de enfrentar enfermidades genéticas. Apenas em tempos recentes foi aceito que homens da comunidade se casem com mulheres judias não-samaritanas.
A religião dos Samaritanos
À semelhança do judaísmo, os SAMARITANOS conheceram disputas religiosas, que são mal conhecidas. Hoje em dia existe na religião samaritana apenas uma corrente religiosa.
Textos sagrados
Samaritano e Torá samaritana
Os SAMARITANOS aceitam apenas a autoridade do Pentateuco. Rejeitam os outros livros da Bíblia judaica, assim como a tradição oral (Talmud). O Pentateuco dos SAMARITANOS é escrito em hebraico samaritano com recurso ao alfabeto samaritano, uma variante do antigo alfabeto paleo-hebraico abandonado pelos judeus.
Para além da questão linguística, existem diferenças entre as duas versões do Pentateuco. A mais importante está relacionada com a atribuição ao Monte Garizim do estatuto de local mais sagrado em vez de Jerusalém. Os Dez Mandamentos da Torá samaritana integram como décimo mandamento o respeito do Monte Gerazim como centro do culto. As duas versões dos Dez Mandamentos existentes na Bíblia (no Livro do Êxodo e Deuteronômio), encontram-se entre os SAMARITANOS uniformizadas.
Para os Samaritanos, aquilo que os judeus chamam de primeiro mandamento (("Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão") é apenas uma apresentação que Deus faz de si próprio; assim, o primeiro mandamento dos SAMARITANOS é o segundo mandamento dos Judeus ("Não terás outros deuses diante de mim"). Segundo os SAMARITANOS os judeus fizeram da apresentação de Deus o primeiro mandamento depois de terem retirado como décimo mandamento o dever de considerar o Monte Garizim como local de culto.
As crianças são iniciadas no estudo da Torá quando tem quatro ou cinco anos. Quando a criança leu a Torá por completo tem lugar uma cerimónia especial; atingir este objectivo pode variar segundo a criança, pelo que a cerimónia pode ocorrer entre os seis e os dez anos.
Doutrinas
O "credo" samaritano baseia-se nos cinco seguintes pontos:
Unidade e unicidade de Deus.
O único profeta é Moisés.
O Pentateuco é o único livro inspirado
O monte Garizim é o único lugar escolhido por Deus para situar um santuário, sede da sua santidade (segundo Dt 11,9 e 27,4, onde o SAMARITANOS lêem Garizim em vez de Ebal).
A ressurreição dos mortos ocorrerá antes do Juízo Final.
Os SAMARITANOS aguardam o aparecimento do Messias, o Taheb, que será semelhante a Moisés. Ele viverá cento e dez ou cento e vinte anos e fundará um reino que durará vários séculos.
Festas religiosas
O calendário samaritano baseia-se no calendário judaico, tendo sofrido alterações durante os períodos bizantino e árabe. Pode recorrer a duas eras, contando os anos desde a criação do mundo ou desde o ano em que os Israelitas entraram na Terra Prometida. Os meses são designados recorrendo-se a nomes ordinais ("primeiro", "segundo", etc...), embora também se possam os nomes judaicos e árabes.
Os cálculos do calendário e dos dias das festas são feitos pelos sacerdotes. Duas vezes por ano o sumo sacerdote samaritano distribui o calendário para o período de seis meses que se segue. Nestas duas ocasiões cada homem samaritano paga ao sumo sacerdote uma quantia de dinheiro (em alusão ao meio siclo de Êxodo 30:11-16)
Os SAMARITANOS celebram sete festas religiosas: Pessach (Páscoa), Massot (a Festa dos Pães Ázimos), Shavuot, a Festa do Sétimo Mês, Iom Kippur, Sucot e Shemini Aseret (festa do último dia de Sucot). Três destas festas implicam a realização de uma peregrinação ao Monte Garizim.
A principal festa religiosa dos SAMARITANOS é a Páscoa. Ao contrário dos judeus, os SAMARITANOS conservaram a tradição do sacrifício do cordeiro pascal, seguindo as regras que se encontram consignada no capítulo 12 do Livro do Êxodo.
O sacrifício é realizado no Monte Garizim, embora no passado tenha sido celebrado nas povoações samaritanas. Durante o sacrifício o sumo sacerdote lê as passagens do Êxodo associadas ao dever religioso. O abate dos animais ocorre no preciso momento em que o sumo sacerdote lê o texto do Êxodo 12:6.
Outras práticas
Para além destas crenças e festas, os SAMARITANOS procuram seguir estas práticas:
Viver perto do Monte Garizim (o que é posto em causa com a instalação de uma parte da comunidade em Israel).
Participação obrigatória de toda a comunidade no sacrifício da Páscoa.
Observância do Shabat.
Respeito pelas regras de pureza descritas na Torá. Neste sentido, os SAMARITANOS ainda seguem as regras do Levítico abandonadas pelos judeus, como a obrigação da mulher se isolar da comunidade durante o período da menstruação ou depois de ter dado à luz.
Os SAMARITANOS utilizam mezuzot mais grossas que as mezuzot judaicas, mas recusam o uso dos tefilin.
A menorá é considerada pelos SAMARITANOS como o seu símbolo nacional. A estrela de David, pelo contrário, não é por eles usada, já que se trata de um símbolo especificamente judeu que não é mencionado na Bíblia.
A circuncisão das crianças do sexo masculino é feita no oitavo dia.
A visão cristã sobre os samaritanos
O surgimento do Cristianismo se deu em uma época de conflito entre judeus e samaritanos, e o ministério apostólico os englobou em sua obra missionária (por exemplo João 4:5-42 e Atos 8:4-19). Jesus, por exemplo, usou esta diferença religiosa para enfatizar o amor ao próximo na história do "Bom samaritano" (Lucas 10:25-37).
Os SAMARITANOS hoje


Localização das duas cidades onde vivem os Samaritanos
Um estudo de 2003 produzido pela comunidade samaritana estima o seu número em 654 pessoas, das quais 346 (179 homens e 167 mulheres) vivem em Holon em Israel e 308 (165 homens e 143 mulheres) em Nablus na Cisjordânia. A natalidade é média, implicando um crescimento demográfico lento: 2,2 à 2,3 filhos por família. Este crescimento moderado deve-se em parte ao facto dos SAMARITANOS se casarem numa idade avançada, quando comparada com outros grupos; a idade média do casamento corresponde aos 31, 3 para os homens 24,6 para as mulheres. Refira-se que o número de SAMARITANOS em 1969 era de 414 pessoas.
Depois da guerra de 1948 a fronteira com a Jordânia encerrou-se, rompendo os laços entre os dois ramos da comunidade. Entre 1951 e 1967 o rei da Jordânia autorizou os SAMARITANOS de Israel a viajar a Nablus na Cisjordânia (que na época encontrava-se ocupada pela Jordânia) uma vez por ano, para a festa da Páscoa. Esta separação foi mal vivida por uma comunidade pequena, que já se encontrava em risco de desaparição.
Os SAMARITANOS de Nablus
Samaritanos no monte Garizim
Os SAMARITANOS de Nablus vivem quase todos num bairro da cidade há vários séculos.
O rei Hussein da Jordânia comprou terras perto do Monte Garizim, que entregou à comunidade samaritana, que as utilizou para construir uma aldeia de nome Kiryat Luza. Esta localidade é o centro espiritual da comunidade, encontrando-se nela a residência do sumo sacerdote.
Os SAMARITANOS da Cisjordânia utilizam a língua árabe na sua vida quotidiana; como língua litúrgica usam o hebraico samaritano.
Depois da Guerra dos Seis Dias, a administração militar israelita da Cisjordânia, sob pressão da comunidade samaritana de Israel, colocou em prática uma política favorável aos samaritanos de Nablus. Apesar de terem beneficiado desta política, os SAMARITANOS tiveram o cuidado de não apareceram como traidores aos olhos dos palestinianos, desempenhando por vezes um papel de intermediários entre a população de Nablus e o exército israelita.
Os SAMARITANOS de Holon
A partir de 1905, várias famílias samaritanas instalaram-se na zona costeira da Palestina, em Jafa, sob a direcção de Abraham ben Marhiv Tsedaka. Este procurou que a comunidade saísse do seu isolamento geográfico, abrindo-a às novas oportunidades económicas.
Outros SAMARITANOS instalam-se em Israel em 1951 no quadro de um programa de reunificação de famílias aprovado pela Jordânia e Israel.
Em 1955 várias famílias samaritanas que procuravam trabalho instalam-se em Holon, a sul de Tel Aviv, num bairro criado com a ajuda do antigo presidente israelita Yitzhak Ben-Zvi e de Yefet b. Avraham Tsedaka, líder do SAMARITANOS residentes fora de Nablus.
Progressivamente este número aumentou, contando-se cerca de 350 pessoas em 2005. Os SAMARITANOS de Holon habitam em torno do seu local de culto, a rua Ben Amram, num grupo de casas situada ao longo da artéria principal da cidade. O nível de vida e a escolaridade dos SAMARITANOS de Israel é superior ao dos SAMARITANOS da Cisjordânia. Encontram-se integrados na sociedade israelita, apesar de preservarem às suas especificidades religiosas. Na sua vida quotidiana falam o hebraico, recorrendo ao hebraico samaritano para a liturgia. Prestam serviço militar no exército israelita, com excepção dos SAMARITANOS oriundos das famílias sacerdotais. Foi a comunidade de Holon que fundou em 1969 o A. B. - The Samaritan News, o primeiro jornal da comunidade samaritana.
Organização e relações com Israel
Do ponto de vista religioso, os SAMARITANOS são dirigidos por um sumo sacerdote que reside em Nablus. Os sacerdotes afirmam-se descendentes da tribo sacerdotal de Levi. Depois da guerra de 1967, as duas comunidades (a de Nablus e de Holon) criaram cada um um conselho de sete membros eleitos. Estes conselhos encarregam-se dos assuntos civis da comunidade e servem de interlocutores com as autoridades israelitas e palestinianas.
No plano familiar, os SAMARITANOS organizam-se em oito "casas" patriarcais, das quais quatro derivam de um "casa" original, os Danafis, originária de Damasco; duas outras casas são oriundas da "casa" Marchiv, cujas origens estão em Gaza e Sarafend. As oito "casas" são Dom Kaplanski (a casa sacerdotal), Tsedaka Hatsafari, Altif Danafi, Marchiv Marchivi, Sassoni-Sirrawi Danafi, Yehoshua Marchivi, Meshallema Danafi e Shalabi Danafi. As duas últimos tem uma existência residual, dado que não contavam com nenhuma pessoa em 2003. A pertença a uma destas "casas" é transmitida pelo pai. Segundo os Samaritanos, estas "casas" estão ligadas a uma das antigas tribos de Israel. Tal como acontece em outras sociedades tradicionais, os mais velhos desempenham um papel fundamental, embora não possuam nenhum poder oficial.
A maioria dos casamentos é feita no seio da mesma "casa", o que não contribui para melhorar os problemas de consanguinidade que a comunidade conhece.
Os SAMARITANOS são reconhecidos como judeus pelo Estado de Israel, encontrando-se abrangidos pelo "lei do retorno" que concede a cidadania israelita de forma automática. Os bilhetes de identidade dos SAMARITANOS de Israel classificam-nos como "judeus samaritanos" ou simplesmente "judeus". No entanto, os SAMARITANOS não são reconhecidos como judeus pelo rabinato ortodoxo de Israel. As relações com os judeus ultra-ortodoxos são particularmente más, já que os primeiros os rejeitam completamente. Em 1992 foi mesmo proposto retirar aos SAMARITANOS a possibilidade de beneficiarem da lei do retorno, sob pressão do Shas, partido ultraortodoxo, mas o Tribunal Supremo de Israel confirmou em 1994 o estatuto de judeus dos Samaritanos.
Saliente-se que os próprios SAMARITANOS não se consideram propriamente judeus (descendentes dos habitantes do reino de Judá), mas antes como Israelitas descendentes dos habitantes do reino da Samaria. Para os Samaritanos, os judeus seriam outro ramo do povo israelita.
Problemas de consanguinidade
Os problemas oriundos da consanguinidade são comuns entre os Samaritanos. Hoje em dia, antes de terem filhos muitos casais SAMARITANOS submetem-se a exames genéticos no hospital israelita Tel HaShomer. Desde a década de 20 do século XX que os SAMARITANOS admitem a entrada de mulheres judias na comunidade, como forma de resolver este problema. Contudo, estas uniões levantam problemas para ambas as partes: o rabinato de Israel, que possui o monopólio sobre o casamento no país, é contra as uniões com Samaritanos, enquanto que para os SAMARITANOS a uniões podem gerar a dissolução no meio judaico. Estes casamentos são por isso raros. Em 2003 encontravam-se recenseados 14 casamentos mistos.
Numa nova tentativa de solucionar a situação, Eleazar ben Tsedaka, sumo sacerdote dos SAMARITANOS desde 2004, emitiu uma directiva que autoriza os homens da sua comunidade a casar com mulheres oriundas de qualquer meio religioso, desde que estas se convertam à fé samaritana antes do casamento.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Afinal, Quem é Deus?



"Toda e quaisquer definição intelectual acerca de Deus se confinam à limitação humana: “Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso” ( 11.7).
Definir, em última análise, significa limitar.
Envolve a inclusão do ser ou objeto definido dentro de uma determinada classe. Deus não pode ser satisfatoriamente definido."
A idéia ou compreensão de Deus assumiu, ao longo da história, várias concepções, desde as formas pré-clássicas provenientes das tribos da Antiguidade até os dogmas das modernas religiões.
Deus muitas vezes é expressado como o
criador e senhor do universo. Teólogos tem relacionado uma variedade de atributos para concepções de Deus muito diferentes. Os mais comuns entre essas incluem onisciência, onipotência, onipresença, benevolência (bondade perfeita), simplicidade divina, zelo, sobrenatural, eternidade e de existência necessária. Deus também tem sido compreendido como sendo incorpóreo, um ser com personalidade, a fonte de toda a obrigação moral, e o "maior existente".
Estes atributos foram todos suportados em diferentes graus anteriormente pelos filósofos teológicos judeus, cristãos e muçulmanos, incluindo Rambam., Agostinho de Hipona, e Al-Ghazali, respectivamente. Muitos filósofos medievais notáveis desenvolveram argumentos para a existência de Deus, tencionando combater as aparentes contradições implicadas por muitos destes atributos.
Entetanto Deus é muito mais do que as palavras significam. O Eterno não está confinado aos sentidos da limitada linguagem humana. Hegel chamava de "consciência infeliz", o fato de o finito, o homem, tentar definir o Infinito, Deus.
Temos neste ponto o desafio e confronto da linguagem apofática e catafática na teologia. A linguagem do Mistério e do revelado, do cognoscível e Incognoscível, do Transcendente e do imanente, o Deus dos filósofos e o Deus de Abraão. Como afirma a Bíblia a respeito de Deus, 'ēl haggādôl wehannōrâ – "Deus, grande e terrível" (Ne 1.5; 4.14; 9.32; Dt 7.9). Quem é suficientemente sábio para compreender a sublimidade dessas palavras? Porém, a Bíblia declara a existência de Deus e revela seu caráter e natureza com bases racionais suficientes para se estabelecer um conceito coerente a respeito dEle, de seus atributos e natureza. Ninguém pode definir a Deus satisfatoriamente separado daquilo que as Escrituras afirmam acerca de Deus.
Lembremos, com muita humildade, que Deus não pode ser definido em sua natureza transcendente, pois Ele é o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último. Ele é O Eterno (Jo 1.18).
Encontramos as seguintes definições nas bíblias de estudos e também nas enciclopédias de todo o mundo:
DEUS
(hebr. El, Elah, Eloah, Elohim; gr. theós) O nome mais geral da Divindade (Gn 1.1; Jo 1.1). Deus é o Ser Supremo, único, infinito, criador e sustentador do universo. É espírito pessoal e subsiste em três pessoas ou distinções: Pai, Filho e Espírito Santo.
É santo, justo, amoroso e perdoador dos que se arrependem. O ateu diz que Deus não existe; o agnóstico diz que não podemos saber se Deus existe ou não; os cristãos sabem que Deus existe e afirma: “... nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17.28).
ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS
Os atributos de Deus podem ser divididos em dois tipos. Alguns são "comunicáveis", outros são "incomunicáveis". O amor e a sabedoria de Deus são considerados "comunicáveis" porque são características compartilhadas com a humanidade. Há exemplos de amor e sabedoria nas pessoas em torno de nós. Como humanos podemos ter algum grau de sabedoria e amor, embora Deus seja a única perfeita expressão disso. A natureza eterna e a onipresença de Deus são consideradas "incomunicáveis" porque não há exemplos disso no mundo que nos rodeia. Por exemplo, nada que nos cerca existe eternamente, e ninguém está sempre presente conosco.

A INCOMPREENSIVIDADE DE DEUS
Muitos dos atributos ou características de Deus são reveladas através da Bíblia e de sua mão em nossas vidas, mas somos limitados em quanto podemos conhecer DEle. Pela condição especial de seres criados, só podemos ter uma compreensão limitada do Criador.

A UNIDADES DE DEUS
Deus é um todo. Ele não é uma coleção de pequenos deuses. Ele é uma pessoa.
Qualquer outro deus é simplesmente um ídolo ou um produto da nossa imaginação.

A ESPIRITUALIDADE DE DEUS
Parece óbvio afirmar, mas Deus não é feito de carne e osso como nós. Ele nos é invisível, ainda que pessoal, vivo e atuante em nossas vidas.

A INDEPENDÊNCIA DE DEUS
Deus não precisa de ninguém nem de nada. Ele é Aquele que nos criou e o mundo em que vivemos. Ele é completamente autosuficiente. Maravilhoso é que Ele escolheu se relacionar conosco - e não com alguns selecionados, mas com todos.

A IMUTABILIDADE DE DEUS
Deus não muda, o que é muito bom para nós. Ele é o mesmo Deus que falou com Adão e Eva. É o mesmo Deus que tirou o povo do Egito. Ele nunca mudou e nunca mudará. Não porque não tenha o poder ou habilidade para fazê-lo, mas porque não é necessário. Ele é perfeito, e diferentemente de nós, não precisa se aperfeiçoar ou melhorar em nenhum aspecto. Da mesma maneira, nunca muda seu pensamento ou age de maneira estranha. Nunca mudará as regras para conosco ou falhará com suas promessas. Permanece ativo e presentenesse mundo como uma força constante e imutável.
O que pensam outras pessoas sobre a existência de Deus?

Teísmo - O teísmo é um conceito surgido no século XVII, contrapondo-se ao moderno ateísmo, deísmo e panteísmo. O teísmo sustenta a existência de um deus (contra o ateísmo), ser absoluto transcendental (contra o panteísmo), pessoal, vivo, que atua no mundo através de sua providência e o mantém (contra o deísmo). No teísmo a existência de um deus pode ser provada pela razão, prescindindo da revelação; mas não a nega. Seu ramo principal é o teísmo Cristão, que fundamenta sua crença em Deus na Sua revelação sobrenatural através da Bíblia. Existe ainda o teísmo agnóstico, que é a filosofia que engloba tanto o teísmo quanto o agnosticismo. Um teísta agnóstico é alguém que admite não poder ter conhecimento algum acerca de Deus, mas decide acreditar em Deus mesmo assim. A partir do teísmo se desenvolve a Teologia, que é encarada principalmente, mas não exclusivamente, do ponto de vista da . Embora tenha suas raízes no teísmo, pode ser aplicada e desenvolvida no âmbito de todas as religiões. Não deve ser confundida com o estudo e codificação dos rituais e legislação de cada credo.

Ateísmo – O ateísmo engloba tanto a negação da existência de divindades quanto a simples ausência da crença em sua existência.

Agnosticismo – Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racional e cientificamente a existência de Deus, como também é igualmente impossível provar a sua inexistência. O agnóstico pode ser teísta ou ateísta, dependendo da posição pessoal de acreditar (sem certeza) na existência ou não de divindades.

Além de estudos de livros considerados sagrados como a Bíblia, muitos argumentam que pode-se conhecer sobre Deus e suas qualidades, observando a natureza e suas criações. Argumentam que existe evidência científica de uma fonte de energia ilimitada, e que esta poderia ter criado a substância do universo, e que por observarem a ordem, o poder e a complexidade da criação, tanto macroscópica como microscópica, muitos chegaram a admitir a existência de Deus.

sábado, 14 de fevereiro de 2009



ANJOS
O QUE SÃO ANJOS?

OS ANJOS SÃO SERES CRIADOS PARA O PROPÓSITO DE DEUS.

A concepção e o nascimento de Jesus Cristo são eventos sobrenaturais, além do raciocínio ou da lógica humana (veja Mateus 2:13, 19; Lucas 1:11, 26; 2:9).Anjos são seres espirituais criados por Deus que ajudam a levar a sua obra aqui na terra. Eles trazem as mensagens de Deus para as pessoas (Lucas 1:26), protegem o povo de Deus (Daniel 6:22), encorajam as pessoas (Gênesis 16:7), dão orientação (Êxodo 14:19), executam punições (2 Samuel 24:15-17), patrulham a terra (Zacarias 1:9-14) e lutam contra a força do mau (2 Reis 6:16-18; Apocalipse 20:1-2). Existem anjos bons e maus (Apocalipse 12:7), mas porque os anjos maus estão aliados com o diabo, ou Satanás, eles tem menos poder e autoridade do que anjos bons. Eventualmente, o maior papel dos anjos vai ser de oferecer louvores a Deus (Apocalipse 7:11-12).LEITURA BíBLICA: Lucas 1:5-20VERSICULO CHAVE: Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e dar-te estas alegres novas. (Lucas 1:19)

OS ANJOS SERVEM COMO MENSAGEIROS DE DEUS.
Os anjos são seres espirituais que vivem na presença de Deus e fazem a sua vontade. Somente dois anjos são mencionados pelo nome nas escrituras - Miguel e Gabriel - mas há vários que atuam como mensageiros de Deus. Aqui, Gabriel deu uma mensagem especial a Zacarias (1:19). Isso não foi um sonho ou uma visão. O anjo apareceu numa forma visível e falou palavras audíveis para o sacerdote.LEITURA BíBLICA: Mateus 18:10-14VERSICULO CHAVE: Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos. Pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus. (Mateus 18:10)OS


ANJOS SÃO GUARDIÕES ESPECIAIS.
A nossa preocupação com crianças tem que ser igual a maneira com que Deus as trata. Certos anjos são incumbidos de cuidar de crianças e eles tem acesso direto a Deus. Há culturas em que as crianças não são levadas em conta, são ignoradas ou abortadas. Se os seus anjos tem acesso direto a Deus, o mínimo que podemos fazer é permitir que as crianças se aproximem de nós com facilidade apesar de nossas agendas lotadas. LEITURA BíBLICA: Hebreus 1:1-14VERSíCULO CHAVE: Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? (Hebrews 1:14)


OS ANJOS TEM VÁRIAS FUNÇÕES.

Os anjos são seres espirituais criados por Deus e debaixo de sua autoridade (Colossenses 1:16). Eles tem várias funções: servir aos que crêem (Hebreus 1:14), proteger os necessitados (Mateus 18:10), proclamar a mensagem de Deus (Apocalipse 14:6-12) e executar a punição de Deus (Atos 12:1-23; Apocalipse 20:1-3).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

COMO A BIBLIA CHEGOU ATE NÓS, HOJE.


A palavra grega Bíblia , em plural, deriva do grego bíblos ou bíblion (ß?ß????) que significa "rolo" ou "livro". Bíblion, no caso nominativo plural, assume a forma bíblia, significando "livros". No latim mediaval, biblìa é usado como uma palavra singular — uma colecção de livros ou "a Bíblia". Foi São Jerónimo, tradutor da Vulgata Latina, que chamou pela primeira vez ao conjunto dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento de "Biblioteca Divina". A BÍBLIA é na realidade uma coleção de livros catalogados, considerados pelas diversas religiões cristãs como Divinamente inspirados. É sinônimo de "Escrituras Sagradas" e "Palavra de Deus".
Os livros bíblicos considerados canônicos pela Igreja Católica Romana constituem-se de 73 livros, isto é, 7 livros a mais no Antigo Testamento do que outras traduções bíblicas usadas pelas religiões cristãs não-católicas e pelo Judaísmo. Esses livros são chamados de deuterocanónicos ou livros do "segundo Cânon", pela Igreja Católica. A lista dos livros deuterocanónicos é a seguinte: Tobias, Judite, I Macabeus, II Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (Ben Sira ou Sirácida) e Baruque. Possui, ainda, adições aos livros protocanónicos (ou livros do "primeiro Cânone") de Ester e Daniel. Foram considerados escritos Apócrifos por outras denominações religiosas, ou seja, livros ou escritos que carecem de inspiração Divina. Porém, é reconhecido valor histórico aos livros de Macabeus.
Conceitos sobre a Bíblia
A BÍBLIA é um livro muito antigo. Foi escrita ao longo de um período de 1500 anos por cerca de 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais.
Os cristãos acreditam que estes homens escreveram a BÍBLIA inspirados por Deus e por isso consideram que a BÍBLIA é a Escritura Sagrada. No entanto, nem todos os seguidores da BÍBLIA a interpretam de forma literal, e muitos consideram que muitos dos textos da BÍBLIA são
metafóricos ou que são textos datados que faziam sentido no tempo em que foram escritos, mas foram perdendo seu sentido dentro do contexto da atualidade.
Para o cristianismo tradicional, a BÍBLIA é a Palavra de
Deus, portanto ela é mais do que apenas um bom livro, é a vontade de Deus escrita para a humanidade. Para esses cristãos nela se encontram, acima de tudo, as respostas para os problemas da humanidade e a base para princípios e normas de moral.
Os
agnósticos vêem a BÍBLIA como um livro comum, com importância histórica e que reflete a cultura do povo que os escreveu. Os não crentes recusam qualquer origem Divina para a BÍBLIA e a consideram como de pouca ou de nenhuma importância na vida moderna, ainda que na generalidade se reconheça a sua importância na formação da civilização ocidental (apesar de a BÍBLIA ter origem no Médio Oriente).
A comunidade científica tem defendido a BÍBLIA como um importante documento histórico, narrado na perspectiva de um povo e na sua fé religiosa. Muito da sua narrativa foi de máxima importância para a investigação e descobertas arqueológicas dos últimos séculos. Mas os dados existentes são permanentemente cruzados com outros documentos contemporâneos, uma vez que, a sua história é religiosamente tendenciosa em função da soberania de um povo que se dizia o "escolhido" de Deus e manifestou essa atitude nos seus registros.
Independente da perspectiva que um determinado grupo tem da Bíblia, o que mais chama a atenção neste livro é a sua influência em toda história da sociedade ocidental e mesmo mundial, por ela nações nasceram (
Estados Unidos da América etc.), povos foram destruídos (Incas, Maias, etc), o calendário foi alterado (Calendário Gregoriano), entre outros fatos que ainda nos dias de hoje alteram e formatam nosso tempo. Sendo também o livro mais lido, mais pesquisado e mais publicado em toda história da humanidade, boa parte das línguas e dialetos existentes já foram alcançados por suas traduções. Por sua inegável influência no mundo ocidental, cada grupo religioso oferece a sua interpretação, muitas vezes, sem a utilização da Hermenêutica.
Os idiomas originais
Foram utilizados três idiomas diferentes na escrita dos diversos livros da Bíblia: o
hebraico, o grego e o aramaico. Em hebraico consonantal foi escrito todo o Antigo Testamento, com excepção dos livros chamados deuterocanónicos, e de alguns capítulos do livro de Daniel, que foram redigidos em aramaico. Em grego comum, além dos já referidos livros deuterocanónicos do Antigo Testamento, foram escritos práticamente todos os livros do Novo Testamento. Segundo a tradição cristã, o Evangelho de Mateus terá sido primeiramente escrito em hebraico, visto que a forma de escrever visava alcançar os judeus.
O hebraico utilizado na BÍBLIA não é todo igual. Encontramos em alguns livros o hebraico clássico (por ex. livros de
Samuel e Reis), em outros um hebraico mais rudimentar e em outros ainda, nomeadamente os últimos a serem escritos, um hebraico elaborado, com termos novos e influência de outras línguas circunvizinhas. O grego do Novo Testamento, apesar das diferenças de estilo entre os livros, corresponde ao chamado grego koiné (istó é, o grego "comum" ou "vulgar", por oposição ao grego clássico), o segundo idioma mais falado no Império Romano.
Inspirado por Deus
O apóstolo
Paulo afirma que "toda a Escritura é inspirada por Deus" literalmente, "soprada por Deus", que é a tradução da palavra grega ?e?p?e?st??, theopneustos (II Timóteo 3:16). Na ocasião, os livros que hoje compõem a BÍBLIA não estavam todos escritos e a BÍBLIA não havia sido compilada, entretanto muitos cristãos crêem que Paulo se referia à BÍBLIA que seria posteriormente canonizada. O apóstolo Pedro diz que "nenhuma profecia foi proferida pela vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito Santo é que homens falaram em nome de Deus." (II Pedro 1:21 MC) Veja também os artigos Cânon Bíblico e Aprócrifos.
Os cristãos crêem que a BÍBLIA foi escrita por homens sob Inspiração Divina, mas essa afirmação é considerada subjetiva na perspectiva de uma pessoa não cristã ou não religiosa. A
interpretação dos textos bíblicos, mesmo usando o mesmo Texto-Padrão, varia de religião para religião. Verifica-se que a compreensão e entendimento a respeito de alguns assuntos pode variar de teólogo para teólogo, e mesmo de um crente para outro dependendo do idealismo e da filosofia religiosa defendida, entretanto, quanto aos fatos e às narrações históricas, existe uma unidade.
A
dos leitores religiosos da BÍBLIA baseia-se na premissa de que "Deus está na BÍBLIA e Ele não fica em silêncio", como declara repetidamente o renomeado teólogo presbiteriano e filósofo, o Pastor Francis Schaeffer, dando a entender que a BÍBLIA constitui uma carta de Deus para os homens. Para os cristãos, o Espírito Santo de Deus atuou de uma forma única e sobrenatural sobre os escritores. Seguindo este raciocínio, Deus é o Verdadeiro Autor da Bíblia, e não os seus escritores, por si mesmos. Segundo este pensamento Deus usou as suas personalidades e talentos individuais, para registrar por escrito os seus pensamentos e a revelação progressiva dos seus propósitos em suas palavras. Para os crentes, a sua postura diante da BÍBLIA determinará o seu destino eterno.
A interpretação bíblica
Diferente da
mitologia, os assuntos narrados na BÍBLIA são geralmente ligados a datas, a personagens ou a acontecimentos históricos (de facto, vários cientistas têm reconhecido a existência de personagens e locais narrados na Bíblia, que até há poucos anos eram desconhecidos ou considerados fictícios).
Os
judeus acreditam que todo o Velho Testamento foi inspirado por Deus e, por isso, constitui não apenas parte da Palavra Divina, mas a própria palavra. Os Cristãos, por sua vez, incorporam a tal entendimento todos os livros do Novo Testamento. Os ateus e agnósticos possuem concepção inteiramente diferente, descrendo por completo dos ensinamentos religiosos. Essa descrença pode ser compreendida através de personagens cuja real existência e/ou atos praticados dependem exclusivamente do entendimento religioso, como dos relatos de Adão e Eva, da narrativa da sociedade humana ante-diluviana, da Arca de Noé, o Dilúvio, Jonas engolido por um "Grande peixe", etc.
A hermenêutica, uma ciência que trata da interpretação dos textos, tem sido utilizada pelos teólogos para se conseguir entender os textos bíblicos. Entre as regras principais desta ciência encontramos:
A BÍBLIA - colecção de livros religiosos - se interpreta por si mesma, revelando toda ela uma doutrina interna;
O texto deve ser interpretado no seu contexto e nunca isoladamente;
Deve-se buscar a intenção do escritor, e não interpretar a intenção do autor;
A análise do idioma original (hebraico, aramaico, grego comum) é importante para se captar o melhor sentido do termo ou as suas possíveis variantes;
O intérprete jamais pode esquecer os fatos históricos relacionados com o texto ou contexto, bem como as contribuições dadas pela
geografia, geologia, arqueologia, antropologia, cronologia, biologia...
Sua estrutura interna
A BÍBLIA é um conjunto de pequenos livros ou uma biblioteca. Foi escrita ao longo de um período de cerca de 1 500 anos por 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais, segundo a tradição judaico cristã. No entanto,
exegetas cristãos divergem cada vez mais sobre a autoria e a datação das obras. A sua divisão em capítulos e versículos que conhecemos hoje surgiu em momentos diferentes da história. A primeira divisão (em capítulos) credita-se a autoria ao arcebispo Stephen Langton da Cantuária, no século XIII, que fez as marcações dos mesmos através de uma seqüência numérica em algarismos romanos nas margens dos manuscritos. A divisão em versículos foi realizada em 1551 numa edição em grego do Novo Testamento pelo humanista e impressor Robert Stephanus.
Testamento — origem do termo
Este vocábulo não se encontra na BÍBLIA como designação de uma de suas partes.
A palavra portuguesa testamento corresponde à palavra hebraica berith — aliança, pacto, contrato, e designa aquela aliança que Deus fez com o povo de Israel no Monte Sinai (Êxodo 24:1-8; 34:10-28). Sendo esta aliança quebrada pela infidelidade do povo, Deus prometeu uma nova aliança (Jer. 31:31-34) que deveria ser ratificada com o sangue de Cristo (Mat. 26:28). Os escritores neotestamentários denominam a primeira aliança de antiga (Heb. 8:13), contrapondo-lhe a nova (II Cor. 3:6, 14).
Os tradutores da Septuaginta traduziram berith para diatheke, embora não haja perfeita correspondência entre as palavras, já que berith designa aliança (compromisso bilateral) e diatheke tem o sentido de "última disposição dos próprios bens", "testamento" (compromisso unilateral).
As respectivas expressões "antiga aliança" e "nova aliança" passaram a designar a coleção dos escritos que contém os documentos respectivamente da primeira e da segunda aliança.
O termo testamento veio até nós através do latim quando a primeira versão latina do Velho Testamento grego traduziu diatheke por testamentum. São Jerônimo revisando esta versão latina manteve a palavra testamentum, eqüivalendo ao hebraico berith — aliança, concerto, quando a palavra como já foi visto não tinha essa significação no grego. Afirmam alguns pesquisadores que a palavra grega para "contrato", "aliança" deveria ser suntheke, por traduzir melhor o hebraico berith.
As denominações "Antigo Testamento" e "Novo Testamento", para as duas coleções dos livros sagrados, começaram a ser usadas no final do II século A.D., quando os evangelhos e outros escritos apostólicos foram considerados como Escrituras.
Livros do Antigo Testamento.
Pentateuco Gênesis - Êxodo - Levítico - Números - Deuteronômio
Históricos Josué - Juízes - Rute - I Samuel - II Samuel - I Reis - II Reis - I Crônicas - II Crônicas - Esdras - Neemias - Ester
Poéticos e Sapienciais - Salmos - Provérbios - Eclesiastes (ou Coélet) - Cânticos dos Cânticos de Salomão
Proféticos Profetas Maiores Isaías - Jeremias - Lamentações - Ezequiel - Daniel Obs.: O livro das Lamentações aparece como uma espécie de prolongamento do livro de Jeremias.
Profetas Menores
Oséias - Joel - Amós - Obadias - Jonas - Miquéias - Naum - Habacuque - Sofonias - Ageu - Zacarias - Malaquias
Livros Deuterocanônicos / Apócrifo
Tobias - Judite - I Macabeus - II Macabeus - Baruque - Sabedoria - Eclesiástico (ou Ben Sira) - e alguns acréscimos ao texto dos livros Protocanônicos - Adições em Ester (Ester 10:4 a 11:1 ou a 16:24) - Adições em Daniel (Daniel 3:24-90; Cap. 13 e 14)
Os livros apócrifos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testamento, numa época em que cessara por completo a revelação divina. Nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do Cânone Hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram reconhecidos pela
igreja primitiva, apesar de serem lidos e estudados.
Apareceram pela primeira vez na
Septuaginta, a tradução do Antigo Testamento feita do hebraico para o grego. Quando Jerônimo traduziu a famosa Vulgata, no início do Século V, incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta Grega. São 11 os escritos apócrifos: sete livros e quatro acréscimos a livros. Também são chamados de deuterocanônicos.
Os sete livros apócrifos constantes das Bíblias de edição católico-romana são:
Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, I Macabeus e II Macabeus.
Os quatro acréscimos ou apêndices são:
Ester (Ester 10:4 a 16:24); Cânticos dos três santos filhos (em Daniel 3:24 a 90); História de Susana (em Daniel cap.13); Bel e o Dragão (em Daniel Cap. 14).
Livros do Novo Testamento.
Evangelhos e Livros históricos Mateus - Marcos - Lucas - João - Atos dos Apóstolos (abrev. Atos)
Cartas paulinas Cartas para igrejas locais Romanos - I Coríntios - II Coríntios - Gálatas - Efésios - Filipenses - Colossenses - I Tessalonicenses - II Tessalonicenses - Hebreus
Cartas a presbíteros I Timóteo - II Timóteo - Tito Carta particular Filémon
Outras cartas Tiago - I Pedro - II Pedro - I João - II João - III João - Judas
Livro profético Apocalipse ou Revelação
Versões e traduções bíblicas
Apesar da antiguidade dos livros bíblicos, os manuscritos mais antigos que possuímos datam a maior parte do III e IV Século d.C.. Tais manuscritos são o resultado do trabalho de copistas (escribas) que, durante séculos, foram fazendo cópias dos textos, de modo a serem transmitidos às gerações seguintes. Transmitido por um trabalho desta natureza o texto bíblico, como é óbvio, está sujeito a erros e modificações, involuntários ou voluntários, dos copistas, o que se traduz na coexistência, para um mesmo trecho bíblico, de várias versões que, embora não afectem grandemente o conteúdo, suscitam diversas leituras e interpretações dum mesmo texto. O trabalho desenvolvido por especialistas que se dedicam a comparar as diversas versões e a seleccioná-las, denomina-se
Crítica Textual. E o resultado de seu trabalho são os Textos-Padrão.
A grande fonte hebraica para o Antigo Testamento é o chamado Texto
Massorético. Trata-se do texto hebraico fixado ao longo dos séculos por escolas de copistas, chamados Massoretas, que tinham como particularidade um escrúpulo rigoroso na fidelidade da cópia ao original. O trabalho dos massoretas, de cópia e também de vocalização do texto hebraico (que não tem vogais, e que, por esse motivo, ao tornar-se língua morta, necessitou de as indicar por meio de sinais), prolongou-se até ao Século VIII d.C.. Pela grande seriedade deste trabalho, e por ter sido feito ao longo de séculos, o Texto massorético (sigla TM) é considerado a fonte mais autorizada para o texto hebraico bíblico original.
No entanto, outras versões do Antigo Testamento têm importância, e permitem suprir as deficiências do Texto
Massorético. É o caso do Pentateuco Samaritano (os samaritanos eram uma comunidade étnica e religiosa separada dos judeus, que tinham culto e templo próprios, e que só aceitavam como livros sagrados os do Pentateuco), e principalmente a Septuaginta Grega (sigla LXX).
A Versão dos Setenta ou
Septuaginta Grega, designa a tradução grega do Antigo Testamento, elaborada entre os séculos IV e II a.C., feita em Alexandria, no Egipto. O seu nome deve-se à lenda que referia ter sido essa tradução um resultado milagroso do trabalho de 70 eruditos judeus, e que pretende exprimir que não só o texto, mas também a tradução, fora inspirada por Deus. A Septuaginta Grega é a mais antiga versão do Antigo Testamento que conhecemos. A sua grande importância provém também do facto de ter sido essa a versão da BÍBLIA utilizada entre os cristãos, desde o início, e a que é citada na grande parte do Novo Testamento.
Da Septuaginta Grega fazem parte, além da BÍBLIA Hebraica, os Livros Deuterocanónicos (aceites como canónicos apenas pela Igreja Católica), e alguns escritos apócrifos (não aceites como inspirados por Deus por nenhuma das religiões cristãs ocidentais).
Encontram-se 4 mil manuscritos em grego do
Novo Testamento, que apresentam variantes. Diferentemente do Antigo Testamento, não há para o Novo Testamento uma versão a que se possa chamar, por assim dizer, normativa. Há contudo alguns manuscritos mais importantes, pelas sua antiguidade ou credibilidade, e que são o alicerce da Crítica Textual.
Uma outra versão com importância é a chamada
Vulgata Latina, ou seja, a tradução latim por São Jerónimo, em 404 d.C., e que foi utilizada durante muitos séculos pelas Igrejas Cristãs do Ocidente como a versão bíblica autorizada.
De acordo com o Scripture Language Report, a BÍBLIA já foi traduzida para 2 403 línguas diferentes, sendo o livro mais traduzido do mundo.
A BÍBLIA em português
Os primeiros registros da tradução de trechos da BÍBLIA para o português remontam ao final século XV. Mas a primeira BÍBLIA completa em língua portuguesa foi publicada somente em 1753, na tradução do pastor
João Ferreira de Almeida (1628 -1691).
O pastor, missionário e tradutor João Ferreira de Almeida foi o principal tradutor da BÍBLIA para a língua portuguesa. Sua tradução foi feita diretamente das línguas originais. Traduziu todo o Novo Testamento e a maior parte do Antigo Testamento (quando morreu, tinha traduzido até Ezequiel 48:21), e seu amigo Jacob op den Akker completou a tradução. Embora o Novo Testamento e as outras partes da BÍBLIA tivessem sido publicados separadamente ainda no século XVII, a BÍBLIA inteira foi publicada pela primeira em 1753, em três volumes. Atualmente, a tradução de Almeida, em suas diferentes versões (as mais comuns são a "Almeida Revista e Corrigida" e a "Almeida Revista e Atualizada"), é a mais tradicional e a mais usada pelos cristãos protestantes lusófonos.
O Padre Antônio Pereira de Figueiredo (
1725-1797) é autor de uma tradução em língua portuguesa. Sua tradução foi publicada em 1790, em sete volumes, depois de 18 anos de trabalho. Sua tradução foi feita a partir da Vulgata latina.
A primeira BÍBLIA em português impressa num único volume foi a tradução de João Ferreira de Almeida, em 1819.A Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil tem como atividade traduzir, publicar e distribuir
Bíblias no Brasil, fundada em 1969. Relaciona-se com a britânica Trinitarian Bible Society, que existe desde 1831.
Seu mais conhecido trabalho é a versão
Almeida Corrigida Fiel da Bíblia. Também edita a Bíblia Maná, versão para leitura diária, a Bíblia de Estudo Indutivo e a Bíblia Apologética, junto com o ICP, além de informativos para a Escola Bíblica Dominical e folhetos.
A versão Almeida Corrigida Fiel da
Bíblia é baseada na tradução de João Ferreira de Almeida. A sua principal característica é ser a única Bíblia de língua portuguesa (dentre as produzidas atualmente) que se baseia exclusivamente nos manuscritos do Textus Receptus, daí o nome "Fiel". Portanto, esta Bíblia é a única em Português que segue exatamente o mesmo texto-base utilizado de fato por João Ferreira de Almeida e por todas as Bíblias da Reforma. A Almeida Corrigida Fiel é publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.
Almeida Revista e Atualizada é como é conhecida a versão da tradução da
Bíblia de João Ferreira de Almeida publicada em 1959 pela Sociedade Bíblica do Brasil. Uma das mais usadas pelos protestantes brasileiros, foi o resultado de treze anos de trabalho de cerca de trinta revisores, baseando-se no chamado Texto Crítico do originais grego e hebraico, em vez de seguir o tradicional Textus Receptus ("texto recebido"), único à disposição na época de Almeida. Quanto à linguagem, procurou-se um equilíbrio entre a linguagem erudita e a popular.
Em 1992, passou por nova revisão, conhecida como "Edição de 1992", eliminando expressões e palavras consideradas antiquadas ou confusas. Por exemplo, o nome próprio Cão, de um dos filhos de
Noé, foi mudado para Cam.
Almeida Revista e Corrigida é como é conhecida a versão da tradução da Bíblia de
João Ferreira de Almeida surgida em 1898 como resultado da compilação de duas versões anteriores em português: Revista e Correcta (1873) e Revista (1894).
No
Brasil, sua primeira publicação remonta aos anos quarenta, pela Imprensa Bíblica Brasileira, ligada à Convenção Batista Brasileira, sendo a primeira Bíblia em português totalmente editada no país. Antes da Segunda Guerra Mundial, o livro era produzido na Europa ou Estados Unidos e importado.Passou por nova revisão em 1995, por iniciativa da Sociedade Bíblica do Brasil, revisão esta conhecida como "Edição de 1995".
Traduções da Bíblia em língua portuguesa A
Bíblia foi traduzida, ao longo dos séculos, em mais de 2400 línguas e idiomas diferentes, incluindo a língua portuguesa.Desde as primeiras traduções parciais em português arcaico no século XIII, diversas versões estão disponíveis ao público em livrarias, bibliotecas e na internet.

Idade Média
A primeira tradução que se tem notícia é a do rei
Dinis de Portugal, conhecida como Bíblia de D. Dinis, que teve grande tiragem durante o seu reinado. É uma tradução dos 20 primeiros capítulos de Gênesis, a partir da Vulgata. Houve também traduções realizadas pelos monges do Mosteiro de Alcobaça, mais especificamente o livro de Atos dos Apóstolos.
Durante o reinado de D.
João I de Portugal, este ordenou que fosse traduzida novamente a Bíblia no vernáculo. Foi publicada grande parte do Novo Testamento e os Salmos, traduzidos pelo próprio rei. Sua neta, D. Filipa, traduziu os evangelhos do francês. Bernardo de Alcobaça traduziu Mateus e Gonçalo Garcia de Santa Maria traduziu partes do Novo Testamento.
Em
1491 é imprimido o Comentários sobre o Pentateuco que, além do Pentateuco, tinha os Targumim sírios e o grego de Onquelos. O tipógrafo Valentim Fernandes imprime De Vita Christi, uma harmonia dos Evangelhos. Os "Evangelhos e Epístolas", compilados por Guilherme de Paris e dirigidos ao clero, são imprimidos pelo tipógrafo Rodrigo Álvares. Numa pintura de Nuno Gonçalves, aparece um rabino segurando uma Torá aberta.
Em
1505, a rainha Leonor ordena a tradução de Atos dos Apóstolos e as Epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas. O padre Antonio Ribeiro dos Santos é responsável por traduções dos Evangelhos de Mateus e Marcos. Em 1529, é publicada em Lisboa uma tradução dos Salmos feita por Gómez de Santofímia, que teve uma 2ª edição em 1535. É bem possível, devido à proximidade com a Espanha, traduções em espanhol fossem conhecidas, como as de João Pérez de Piñeda, João de Valdés e Francisco de Enzinas. O padre jesuíta Luiz Brandão traduziu os quatro Evangelhos.
Durante a
Inquisição houve uma grande diminuição das traduções da Bíblia para o português. A Inquisição, desde 1547 proibia a posse de Bíblias em línguas vernaculares, permitindo apenas a Vulgata latina, e com sérias restrições.
Por volta de
1530, António Pereira Marramaque, de uma família ilustre de Cabeceiras de Basto, escreve sobre a utilidade de verter a Bíblia em vernáculo. Poucos anos depois, é denunciado à Inquisição por possuir uma Bíblia em vulgar.
Uma tradução do Pentateuco é publicada em
Constantinopla em 1547, feita por judeus expulsos de Portugal e Castela. Abraão Usque, judeu português, traduziu e publicou uma tradução conhecida como a Bíblia de Ferrara, em espanhol. Teve que publicar em Ferrara, por causa de perseguição.
Tradução de João Ferreira de Almeida
A tradução feita por
João Ferreira de Almeida é considerada um marco na história da Bíblia em português porque foi a primeira tradução do Novo Testamento a partir das línguas originais. Anteriormente supõe-se que havia versões do Pentateuco traduzidas do hebraico.
Ele já conhecia a
Vulgata, já que seu tio era padre. Após converter-se ao protestantismo aos 14 anos, Almeida partiu para a Batávia. Aos 16 anos traduziu um resumo dos evangelhos do espanhol para o português, que nunca chegou a ser publicado. Em Malaca traduziu partes do Novo Testamento também do espanhol.
Aos 17, traduziu o Novo Testamento do
latim, da versão de Theodore Beza, além de ter se apoiado nas versões italiana, francesa e espanhola.
Aos 35 anos, iniciou a tradução a partir de obras escritas no idioma original, embora seja um mistério como ele aprendeu estes idiomas. Usou como base o
Texto Massorético para o Antigo Testamento e uma edição de 1633 (pelos irmãos Elzevir) do Textus Receptus. Utilizou também traduções da época, como a castelhana Reina-Valera. A tradução do Novo Testamento ficou pronta em 1676.
O texto foi enviado para a
Holanda para revisão. O processo de revisão durou 5 anos, sendo publicado em 1681, e teve mais de mil erros[carece de fontes?]. A razão é que os revisores holandeses queriam harmonizar a tradução com a versão holandesa publicada em 1637. A Companhia das Índias Orientais ordenou que se recolhesse e destruísse os exemplares defeituosos. Os que foram salvos foram corrigidos e utilizados em igrejas protestantes no Oriente, sendo que um deles está exposto no Museu Britânico. Após sua morte foram detectados 1.119 erros de tradução[carece de fontes?].
O próprio Almeida revisou o texto durante dez anos, sendo publicado após a sua morte, em
1693. Enquanto revisava, trabalhava também no Antigo Testamento. O Pentateuco ficou pronto em 1683. Há uma tradução dos Salmos que foi publicada em 1695, anexo ao Livro de Oração Comum, anônima, mas atribuída a Almeida. Almeida conseguiu traduzir até Ezequiel 48:12 em 1691, ano de sua morte, tendo Jacobus op den Akker completado a tradução em 1694.
A tradução completa, após muitas revisões, foi publicada em dois volumes, um
1748, revisado pelo próprio den Akker e por Cristóvão Teodósio Walther, e outro em 1753. Em 1819, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira publica uma 3ª edição da Bíblia completa, em um volume.
Há também as edições impressas em na colônia
dinamarquesa de Tranquebar, que datam de 1719 a 1765. São edições parciais da Bíblia, que foram obtidas à medida que os revisores terminavam seu trabalho.
Resumindo, foram impressas:
NT, 1ª edição,
Amsterdã, 1681
NT, 2ª edição,
Batávia, 1693[1]
NT, 3ª edição,
Amsterdã, 1712 [2]
AT, Gênesis a Ester,
Batávia [3]
AT, Jó a Malaquias,
Batávia [4]
Impressões em
Tranquebar: Gênesis, 1719; Oséias a Malaquias, 1732; Josué a Ester, 1738; Jó a Cânticos, 1744; Isaías a Daniel, 1751; O Livro de Salmos, 1740; Os Evangelhos, 1760; Novo Testamento, 1765.
O trabalho de João Ferreira de Almeida é para a língua portuguesa o que a
Bíblia de Lutero é para alemã, a King James Version para a inglesa e Reina-Valera é para a espanhola. No entanto, a única tradução moderna em Português, que utiliza os mesmos textos-base em grego e hebraico que foram utilizados por João Ferreira de Almeida, é a versão Almeida Corrigida Fiel, da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. As demais traduções modernas, embora utilizem o nome "Almeida", como a Almeida Revista e Atualizada e Almeida Revista e Corrigida baseiam-se em maior ou menor grau nos manuscritos do chamado Texto Crítico, que passou a ser utilizado somente a partir do século XIX. Teófilo Braga, ao comentar sobre a versão original de Almeida, disse: "É esta tradução o maior e mais importante documento para se estudar o estado da língua portuguesa no século XVIII."
Tradução de António Pereira de Figueiredo
Devido à Inquisição, houve poucos esforços na
Igreja Católica para a produção de uma tradução bíblica em língua portuguesa. António Pereira de Figueiredo, padre português, começou o projeto de tradução da Bíblia em português. Era baseado na Vulgata e levou 18 anos para ser completada. Essa tradução só foi possível graças ao enfraquecimento e desativação da Inquisição.
O
Novo Testamento foi publicado entre 1778 e 1781 em seis volumes. O Antigo Testamento foi publicado entre 1782 e 1790 em 17 volumes. A versão em sete volumes, que é considerada padrão, foi publicada em 1819, sendo que a versão em volume único foi publicada em 1821.
Por ser uma versão com português mais recente, foi considerada melhor que a de Almeida, apesar de não ter sido baseado nos idiomas originais. Nota-se que foi a
Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira que editou as revisões de 1821 (completa) e 1828 (sem os deuterocanônicos). A Sociedade Bíblica de Portugal foi fundada em 1835 e distribuiu essa, além da versão de Almeida. Teve boa acolhida entre católicos e protestantes.
Traduções em Portugal, após Almeida e Figueiredo
Traduções parciais
Padre António Ribeiro dos Santos traduziu os Evangelhos de
Mateus e Marcos no final do século XIX, baseado na Vulgata.
Traduções completas
O comerciante natural de
Hamburgo, Pedro Rahmeyer é responsável por uma tradução completa da Bíblia em português. Ficou conhecida como "Bíblia de Rahmeyer" e está em exposição no Museu de Hamburgo. Supõe-se que, durante os 30 anos que ficou em Lisboa, tenha traduzido do alemão.
Em
1933, com apoio papal, o padre Matos Soares publica sua tradução da Bíblia em português, traduzida a partir da Vulgata. Ganhou a aprovação da Igreja Católica, sendo a mais popular no Brasil, desde que foi publicada em 1942.
A
Tradução Interconfessional em Português Corrente foi fruto de um trabalho conjunto entre católicos e protestantes. Iniciada em 1972, é revisada em 2002.
Traduções no Brasil Traduções parciais
A primeira tradução realizada no
Brasil foi feita pelo bispo Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré. Era um Novo Testamento traduzido a partir da Vulgata. No prefácio, havia acusações contra os protestantes, chamando suas versões da Bíblia de "falsificadas". Foi publicada em São Luís, no Maranhão, em 1847, sendo imprimida em Portugal em 1875.
Em
1879, a Sociedade de Literatura Religiosa e Moral publica uma revisão do Novo Testamento de Almeida. Foi revisada por José Manoel Garcia, pelo pastor M. P. B. de Carvalhosa e pelo pastor Alexandre Latimer Blackford.
O imperador D.
Pedro II era um profundo admirador da cultura judaica. Após aprender o hebraico, que era a sua língua favorita, traduziu partes da Bíblia, como o livro de Neemias, além de partes do Velho Testamento para o latim.
F. R. dos Santos Saraiva, autor de um dicionário latino-português, traduz os Salmos, com o título de Harpa de Israel, em 1898.
Duarte Leopoldo e Silva traduz e publica os Evangelhos em forma de harmonia. O Colégio da Imaculada Conceição,
Botafogo, Rio de Janeiro, publica uma tradução dos Evangelhos e Atos, do francês, preparada por um padre, em 1904. Padres franciscanos iniciam um trabalho de tradução a partir da Vulgata, sendo concluído em 1909. No mesmo ano, o padre Santana traduz o Evangelho de Mateus diretamente do grego. É a primeira tradução parcial da Bíblia, em português, dos idiomas originais feita por um padre católico, embora tenha sido apoiado pelo latim.
J. L. Assunção traduz o Novo Testamento a partir da
Vulgata em 1917. Surge, no mesmo ano, o livro de Amós, traduzido por Esteves Pereira. Foi traduzido do etíope. Em 1923, J. Basílio Pereira traduz o Novo Testamento e os Salmos a partir da Vulgata.
O então padre
Huberto Rohden foi o autor de uma tradução do Novo Testamento. Começou a traduzir enquanto estudava na Leopold-Franzens-Universität Innsbruck, Áustria, completando em 1930. Foi publicado pela Cruzada da Boa Imprensa (atualmente é pela editora Martin Claret). Utilizou como base o Textus Receptus.
O rabino
Meir Matzliah Melamed traduz a Torá, numa edição sem data, com o nome de A Lei de Moisés e as Haftarot. Foi publicada em 1962. A tradução foi revisada e lançada, em 2001, com o nome de A Lei de Moisés. Está disponível pela Editora Sêfer.
Em
1993 é publicado o Novo Testamento da Nova Versão Internacional. Em 2005, o pastor batista Fridolin Janzen traduz o Novo Testamento em português, baseado no Textus Receptus. O texto está disponível no seu website, e está para ser imprimida.
Traduções completas
A primeira tradução completa foi a
Tradução Brasileira. Foi uma tradução da Bíblia que não contava apenas somente com teólogos, como H. C. Tucker, William Cabell Brown, Eduardo Carlos Pereira, mas também com eruditos como Ruy Barbosa, José Veríssimo e Virgílio Várzea.
A tradução se principiou em
1902. Os dois primeiros evangelhos foram editados em 1904, e depois de alguma crítica e revisão, o Evangelho de Mateus saiu novamente em 1905. Os Evangelhos e o livro dos Atos dos Apóstolos foram publicados em 1906, e o Novo Testamento completo em 1910. Publicada em sua inteireza em 1917, apresenta características eruditas, sendo bastante literal em relação aos textos originais.
Não obteve o agrado dos leitores, por traduzir nomes hebraicos de uma maneira próxima à daquela língua, falta de literalidade e falta de revisões. Ver artigo principal:
Tradução Brasileira.
A
Almeida Revista e Corrigida foi a primeira Bíblia a ser impressa no Brasil, em 1948. Está em circulação a revisão de 1995. Ver artigo principal: Almeida Revista e Corrigida.
Publicada em
1959, a Almeida Revista e Atualizada utiliza o Texto Crítico, ao invés do Textus Receptus. Ganhou aprovação da CNBB. Ver artigo principal: Almeida Revista e Atualizada.
Em
1959 é publicada a tradução dos monges Meredsous em português. O trabalho de tradução foi coordenado pelo franciscano João José Pedreira de Castro, do Centro Bíblico de São Paulo . Foi traduzida a partir da versão francesa publicada na Bélgica.
A
Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas é uma tradução da Bíblia feita com direcionamento específico para as Testemunhas de Jeová. Foi publicada em 1963, sendo traduzida da versão inglesa. Ver artigo principal: Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.
A Versão Revisada foi publicada em
1967, pela Imprensa Bíblica Brasileira e pela Juerp. É de orientação batista. Ver artigo principal: Versão revisada segundo os melhores textos.
Em
1976 é publicada a Bíblia de Jerusalém, pelas Edições Paulinas. É baseada na versão francesa, sendo que as notas e comentários são traduzidos. Em 2002 é publicada a revisão, chamada de Nova Bíblia de Jerusalém.
Em
1981 é publicada a Bíblia Viva, uma paráfrase da Bíblia. A versão original foi elaborada por Kenneth Taylor e foi traduzida na base da equivalência dinâmica (idéia por idéia). Já está na 2ª edição.
Em
1982 é publicada a Bíblia Vozes, pela editora Vozes, traduzida por uma comissão, presidida pelo franciscano Ludovico Garmus. No mesmo ano é publicada uma versão pela editora Santuário. No ano seguinte é publicada a Bíblia Mensagem de Deus pelas edições Loyola.
Em
1988 é publicada a Bíblia na Linguagem de Hoje, caracterizada por ter uma linguagem popular e tradução flexível. Um exemplo é a tradução de Juízes 3:24: Aí os empregados chegaram e viram que as portas estavam trancadas. Então pensaram que o rei tinha ido ao banheiro. Muitos eruditos vêem uma excessiva utilização de linguagem popular, que pode comprometer a fidelidade com o texto original. Devido a esses problemas, essa tradução passou por um grande processo de revisão, que resultou na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, em 2000.
Em
1990 é publicada a Edição Pastoral. Coordenada pelo teólogo Ivo Storniolo, é uma tradução afinada com a teologia da libertação, sendo voltada para uso dos leigos. Ver artigo principal: Edição Pastoral.
Em
1997 é publicada a Tradução Ecumênica da Bíblia (sendo baseada na versão francesa), sendo parte de sua comissão católicos, protestantes e judeus. O Antigo Testamento foi mantido do modo como se utiliza nas Bíblias judaicas.
Em
2001, a CNBB produziu uma tradução comemorativa dos 50 anos da CNBB, e já está na 3ª edição e envolveu cooperação entre sete editoras católicas. No mesmo ano é publicada a Torah Viva, traduzida por Adolfo Wasserman, baseada na versão inglesa. É publicada também a versão completa da Nova Versão Internacional. ,
Em
2002 é publicada a Bíblia do Peregrino, traduzida por Luís Alonso Schökel. É uma tradução da versão espanhola.
Em
2006 é publicada a Bíblia Hebraica. É o primeiro Tanakh completo publicado em português, desde 1553. Os tradutores foram David Gorodovits e Jairo Fridlin e foi revisada por rabinos e professores.
Traduções feitas em outros países
A
Sociedade Bíblica Trinitariana, fundada no Reino Unido em 1831, também produziu uma versão para o português do Novo Testamento, em 1883. É baseada, no Textus Receptus, assim como todas as Bíblias da Sociedade Bíblica Trinitariana.